Introdução
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgada recentemente, revela um cenário alarmante sobre a realidade das adolescentes brasileiras. As meninas apresentam indicadores de saúde mental, percepção corporal e exposição à violência mais críticos do que os meninos. Essa pesquisa é realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com os Ministérios da Saúde e da Educação e traça um diagnóstico sobre mais de 12,3 milhões de jovens entre 13 e 17 anos das redes pública e privada do Brasil.
Saúde Mental e Percepção Corporal
Segundo os dados, 41% das meninas relataram ter se sentido tristes na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa — índice quase 2,5 vezes maior que o dos meninos (16,7%). A vulnerabilidade emocional também aparece em outros sentimentos negativos, como ideação de autolesão, desamparo e desesperança. Além disso, 61,0% das meninas relatam preocupação excessiva com o cotidiano, e 58,1% dizem sentir irritabilidade ou mau humor com frequência.
Fatores Sociais e Culturais
Fatores sociais, culturais e estruturais ajudam a explicar o maior impacto na saúde mental de adolescentes — sobretudo entre meninas. Questões como violência de gênero, assédio online, pobreza menstrual e padrões estéticos inalcançáveis estão por trás do cenário mostrado pela PeNSE. Enquanto isso, meninos são socializados em uma lógica de masculinidade que valoriza o controle emocional e restringe a expressão de sentimentos — o que também impacta a saúde mental.
Pressão Estética e Imagem Corporal
A satisfação com o próprio corpo é significativamente menor entre meninas. Segundo os dados, 36,1% se declaram insatisfeitas ou muito insatisfeitas com a própria imagem — o dobro do registrado entre meninos (18,2%). Enquanto eles tendem a buscar ganho de peso, 31,7% delas tentam emagrecer, e 21,0% se percebem como “gordas ou muito gordas”, muitas vezes com uma percepção distorcida do próprio corpo.
Vulnerabilidade à Violência e Assédio
Os dados de segurança mostram que meninas são as principais vítimas de diferentes formas de violência, incluindo agressões recorrentes e abusos de natureza sexual. 30,1% relataram humilhações frequentes por colegas, e 15,2% disseram ter sido vítimas de agressões no ambiente virtual. Além disso, 26,0% afirmaram ter sofrido assédio sexual — como toques ou exposição contra a vontade — e 11,7% disseram ter sido forçadas a ter relações sexuais.
Pobreza Menstrual
Outro ponto destacado é a pobreza menstrual. É a primeira vez que a PeNSE traz dados sobre dignidade menstrual, que mostram que 15% das adolescentes deixaram de ir à escola ao menos um dia no último ano por falta de absorventes. Apesar da existência de políticas públicas para distribuição de absorventes, barreiras burocráticas e logísticas ainda dificultam o acesso, especialmente para meninas em situação de vulnerabilidade.
Impactos de Longo Prazo
Sinais como mudanças de comportamento, isolamento e sofrimento emocional precisam ser levados a sério por famílias e escolas. O acolhimento sem julgamento e a criação de espaços de escuta são fundamentais para evitar o agravamento desses quadros. A escola tem papel central nesse cenário, funcionando como ambiente de proteção e de identificação precoce de situações de risco. É necessário enfrentar a desigualdade de gênero e a violência para que meninos e meninas vivenciem a adolescência de forma mais equilibrada e saudável.
Fonte: g1 > Educação
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