Introdução
Não adianta fingir que a inteligência artificial não existe, concluíram reitores e professores do ensino superior. Eles perceberam que qualquer tentativa de proibir 100% o uso de ferramentas como ChatGPT e Gemini pelos alunos seria em vão. Mas como garantir que esse tipo de tecnologia não vá prejudicar a formação dos jovens nem distorcer os resultados de avaliações?
Contexto
O Conselho Nacional de Educação (CNE) está discutindo um parecer que criará diretrizes nacionais para o emprego da IA na educação pública e privada, abrangendo todas as etapas de ensino. Até a última atualização desta reportagem, o texto ainda estava em aberto, aguardando as últimas recomendações do Ministério da Educação (MEC). Nos próximos dias, deve ser votado pelos conselheiros e encaminhado para consulta pública.
Universidades elaboram seus próprios manuais
Enquanto essa resolução não é finalizada, universidades públicas brasileiras optaram por elaborar e publicar seus próprios “manuais” com regras e recomendações sobre o uso de inteligência artificial no contexto acadêmico.
Na última semana, por exemplo, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) divulgou um guia para os alunos e os docentes da graduação, classificando as práticas em três categorias:
Categorias de uso de IA
PODE
- Traduzir textos, parafrasear parágrafos, elaborar resumos e obter explicações adicionais;
- Revisar textos produzidos (gramática e ortografia);
- Criar esboços, roteiros, cronogramas e mapas mentais;
- Gerar imagens, vídeos e animações, compor músicas, criar apresentações e desenvolver jogos educativos;
- Traduzir textos para fins de pesquisa, desde que a tradução seja cuidadosamente revisada e validada.
NÃO PODE
- Submeter trabalhos gerados por IA como se fossem produções originais sem declaração explícita;
- Praticar plágio, deixando de citar adequadamente obras que a IA pode ter incluído nos resultados;
- Utilizar IA em provas, testes e avaliações sem autorização expressa do docente;
- Compartilhar informações confidenciais ou protegidas por direitos autorais;
- Produzir desinformação (deepfakes) ou simular resultados experimentais sem explicitar o uso da ferramenta.
DEPENDE
- Gerar partes específicas de trabalhos (a permissão varia de acordo com a disciplina e as diretrizes do professor);
- Fazer tarefas em grupo (as diretrizes devem ser explicadas pelo docente e combinadas com transparência entre todos os integrantes da equipe).
Declaração explícita sobre o uso de IA
“Em um trabalho de conclusão de curso, o que nós esperamos é que o aluno não utilize de forma integral a inteligência artificial para a construção do seu texto. Ela não pode fazer a pesquisa por ele ou escrever por ele, mas pode corrigir erros gramaticais ou ajudar a encontrar referências”, explica Denis Salvadeo, professor da Unesp e um dos autores do guia.
Universidades com regras específicas
Em dezembro de 2025, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aprovou um documento com regras específicas para a pós-graduação.
Na Universidade Federal da Bahia (UFBA), o chamado “Guia para Uso Ético e Responsável da Inteligência Artificial Generativa” destaca a importância de o professor de cada disciplina estipular o que é permitido em determinada atividade.
IA como assistente, não como ‘titular’
Em geral, o objetivo central das universidades é reforçar que a IA deve servir como uma “assistente”, sem jamais dispensar a supervisão humana.
“A tecnologia deve ser usada para apoiar, complementar e potencializar as capacidades humanas, e não para substituí-las indiscriminadamente”, afirma o guia da Unifesp.
Márcia Azevedo Coelho, pesquisadora de IA na Universidade de São Paulo (USP), ressalta que a principal preocupação com o uso indiscriminado dessas ferramentas é aceitar as respostas sem nenhum senso crítico, mas se fossem necessariamente imparciais.
Fonte: g1 > Educação
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