A armadilha da carga cognitiva: por que estudar mais tempo nem sempre te ajuda a aprender mais

A armadilha da carga cognitiva: por que estudar mais tempo nem sempre te ajuda a aprender mais

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Introdução

Você tenta estudar, mas é difícil. Você lê o texto várias vezes, mas não retém nada. A solução não é necessariamente passar cada vez mais horas examinando suas anotações, segundo a especialista em educação Noelia Valle, professora de fisiologia da Universidade Francisco de Vitoria, na Espanha.

O conceito de carga cognitiva

A educadora explica que o cérebro humano não aprende por acumulação, mas por integração. O motivo tem a ver com dois conceitos fundamentais: memória de trabalho e carga cognitiva. Quando o assunto é aprendizado, menos é mais, afirma a especialista.

A memória de trabalho

A memória de trabalho é a capacidade ou espaço de trabalho cerebral que manipula certas informações de forma temporária, a fim de realizar tarefas complexas como o raciocínio, explicou Valle. Ela é o processador ou a RAM do nosso cérebro, ou seja, a capacidade de reter e manipular informações durante um breve período de tempo.

A carga cognitiva

A carga cognitiva é a quantidade de esforço mental que a memória de trabalho deve realizar para processar as novas informações, segundo Valle. A carga cognitiva tem duas partes: a intrínseca, que é a dificuldade inerente do tema; e a extrínseca, que pode aumentar quando o esforço mental for inútil, por ser provocado por explicações confusas ou excesso de estímulos.

Limitações da memória de trabalho

Nossa capacidade de aprender depende do uso eficiente da nossa memória de trabalho, segundo Valle. No entanto, a nossa capacidade é muito limitada e só pode conter de cinco a nove elementos. Tanto é assim que, se excedermos esta capacidade, se recebermos mais informações em um mesmo momento do que nosso cérebro pode processar, elas irão se perder.

Chunks e conceitos

Os fragmentos ou unidades de informação são chamados de chunks. A memória de trabalho tem espaço para manipular entre cinco e nove chunks. A diferença entre dados e conceitos depende se a pessoa que os gerencia é especialista ou novato.

Dicas para melhorar o rendimento nos estudos

Valle destaca que a memória dos especialistas não é maior; ela é mais organizada. Aprender consiste exatamente em transformar muitos dados soltos em um único conceito sólido, para que ocupe menos espaço na memória de trabalho e nos permita pensar em coisas mais difíceis.

Os docentes podem ajudar a reduzir a complexidade intrínseca de um tema, por exemplo, segmentando as informações, do simples até o complexo. Os professores também podem reduzir a carga extrínseca, eliminando distrações desnecessárias, como excesso de animações em uma apresentação, entre outras medidas.

Explicar o que aprendemos

Explicar o que aprendemos para outra pessoa ajuda a aumentar o nosso rendimento. “O cérebro não aprende enquanto recebe informações, mas quando se esforça para recuperá-la”, segundo Noelia Valle.

Em resumo, a chave para aprender mais não é estudar mais tempo, mas sim estudar de forma mais eficiente, usando técnicas que reduzam a carga cognitiva e aumentem a capacidade de retenção de informações. Com essas dicas, você pode melhorar seu rendimento nos estudos e alcançar seus objetivos acadêmicos.


Fonte: g1 > Educação




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