Introdução
Uma criança chora copiosamente, quando é interrompida pelo pai ou pela mãe falando, com ar de mistério: “Olha a Jéssica!”, “Jéssica!!!”, “A Jéssica chegou!”. O filho, confuso, interrompe os gritos, faz uma carinha de interrogação e começa a procurar pela tal figura desconhecida. A técnica, que viralizou em uma trend como uma solução “mágica” para a birra, gera debate entre psicólogos e educadores.
O “sequestro” da atenção: por que as crianças param de chorar?
Chamar pela ‘Jéssica’ faz crianças pararem de chorar? A resposta é um mecanismo psicológico clássico chamado redirecionamento de atenção ou distração ativa. Quando uma criança enfrenta uma crise, fica mergulhada em um turbilhão emocional e sensorial, mas seu cérebro ainda não se desenvolveu a ponto de processar tudo isso.
➡️Nesse contexto, o grito sobre a “Jéssica” funciona como um novo estímulo, externo e inesperado, que compete com a desregulação interna. “O cérebro da criança troca de foco: sai do choro e vai para ‘o que está acontecendo agora?’. Ela não necessariamente se acalmou — apenas suspendeu a reação motora naquele instante”, explica Bianca Dalmaso, psicóloga do Espaço Einstein.
O poder de inventar novas realidades
O sucesso do método, portanto, reside na capacidade dos pais de inventarem situações surreais que dialoguem com o imaginário infantil. Essa “fantasia de emergência” é um recurso válido, desde que não se transforme em ameaça.
Segundo Luciene Tognetta, professora da Unesp e autora de livros infantis, a criança pequena constrói conhecimento por meio de manipulação de objetos e de experiências sensoriais, mesmo antes de desenvolver o pensamento simbólico ou a linguagem mais avançada.
Por isso, estratégias práticas que a tirem da situação de caos emocional podem ajudar na regulação. “A criança para de chorar porque é transportada para outra situação. A mãe deixa de alimentar o conflito e propõe um novo cenário, em vez de reagir com violência ou insistir no problema”, exemplifica Tognetta.
O risco do ‘atalho’ emocional
Embora a técnica possa parecer eficaz para silenciar o choro no supermercado ou no meio do trânsito, o uso repetitivo dela pode criar um vácuo em uma área importante do desenvolvimento infantil: a da compreensão das próprias emoções.
A birra é a expressão de uma expectativa frustrada. Para o adulto, uma promoção negada pelo chefe causa chateação; para a criança, ser impedida de ver um desenho tem o mesmo peso emocional.
Segundo Bruno Jardini Mäder, coordenador do curso de Psicologia da Faculdades do Pequeno Príncipe e mestre em Psicologia, os pais devem ser o “apoio cognitivo maduro” do filho neste momento. Se distraí-lo for a única ferramenta usada, ele perde a oportunidade de aprender a nomear o que sente.
Como agir em cada fase?
Como não existe fórmula mágica, a recomendação é diversificar as estratégias. Nem sempre o redirecionamento é o caminho; muitas vezes, a validação do sofrimento é o que a criança precisa.
Segundo os especialistas, é importante que os pais interpretem o sofrimento da criança e desenvolvam estratégias de regulação emocional que atendam às necessidades individuais de cada filho.
Com atenção e compreensão, é possível ajudar as crianças a desenvolverem habilidades emocionais saudáveis e a lidarem com as frustrações da vida de forma eficaz.
Autor: Adlas Cursos Online
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