Uma questão de ciências que viralizou nas redes sociais
Quem nunca fez prova com perguntas ilustradas por uma tirinha da Turma da Mônica? Pois bem, em uma escola pública em Viamão, no Rio Grande do Sul, Cebolinha e companhia perderam espaço para… Bananildo e Moranguete.
As frutas falantes como personagens centrais
As duas frutas falantes, criadas por inteligência artificial e famosas em novelinhas do TikTok, viraram os personagens centrais de uma questão de ciências do 9º ano, sobre reprodução humana. O texto-base começa assim: “Bananildo dizia produzir milhões de minibananildos todos os dias. Ele contou para Moranguete que esses minibananildos eram produzidos em um lugar e depois viajavam por um canal”.
A conversa entre as frutas continua, sempre com analogias ao processo de produção de espermatozoides e de fecundação do óvulo. E o problema é justamente esse: a tentativa de tornar o tema mais lúdico para os pré-adolescentes acaba levando a equívocos conceituais.
Erro na seleção do “elenco” para encenar a conversa
O primeiro erro, segundo professores de biologia ouvidos, está na seleção do “elenco” para encenar a conversa. As bananas vendidas atualmente são frutos partenocárpicos, ou seja, que se desenvolvem a partir do ovário da flor, sem formação de sementes.
Marcelo Perrenoud, professor de biologia do Curso Anglo, explica: “Não existe fecundação entre as bananas que produzimos hoje. Não foi um bom exemplo misturar a reprodução de plantas, ainda mais de um espécime que não faz reprodução cruzada. Seria melhor usar algum mamífero, como um cão, para falar de reprodução cruzada e transferência de gametas”.
Espermatozoides não são mini-homens
Ao utilizar o termo “minibananildos”, a questão reforça uma ideia equivocada de que o espermatozoide seria uma versão miniatura do ser humano.
O professor Gabriel Antonini explica: “Dá a impressão de que o espermatozoide é um mini-homem, o que não é verdade. Ele carrega apenas metade do material genético da espécie e precisa se juntar ao óvulo na fecundação para formar um embrião”.
Para os especialistas, a tentativa de “suavizar” o conteúdo para o 9º ano acabou sacrificando o rigor científico. “O sistema humano envolve genitais e glândulas específicas. Fazer essa comparação direta com frutas fica muito complexo e induz ao erro. Foi uma tentativa lúdica de falar sobre o assunto, mas, às vezes, na tentativa de deixar o assunto mais leve, acabamos gerando mais dúvidas”, diz Perrenoud.
Autor: Adlas Cursos Online





