Introdução
As máscaras cara-grande, do povo indígena Apyãwa-Tapirapé, são um símbolo importante da cultura e espiritualidade dessas comunidades. Ao longo de décadas, essas máscaras se espalharam do Mato Grosso ao redor do mundo, integrando acervos de museus e sendo revendidas em casas de leilão e plataformas de comércio eletrônico.
A Origem das Máscaras
As máscaras cara-grande são fundamentais para a prática espiritual dos Tapirapé, sendo utilizadas principalmente em contextos cerimoniais para estabelecer contato com forças sobrenaturais e espíritos ancestrais. Elas são confeccionadas com materiais naturais provenientes do ambiente, como penas de arara e diademas.
A Comercialização das Máscaras
Nos anos 1960, as máscaras adentraram o vasto universo do comércio mundial de objetos culturais, tendo as próprias aldeias na ponta inicial da cadeia. Hoje, elas são revendidas em casas de leilão e plataformas de comércio eletrônico, com preços iniciais variando de 600 dólares a 17 mil dólares.
As Versões Adaptadas
As máscaras que são vendidas ou expostas se limitam a uma versão adaptada das máscaras de fato usadas nos rituais. Ao serem dessacralizadas, as réplicas preservaram algumas tradições e, ao mesmo tempo, sofreram alterações estéticas decisivas para a cultura indígena.
Subsistência versus Proibição
A manufatura familiar se tornou, seis décadas atrás, uma estratégia para engajar com a demanda comercial nos arredores do Rio Araguaia. No entanto, a comercialização dessas máscaras é proibida pela legislação brasileira, desde 1967, independentemente de quando foram produzidas.
Mudanças para Olhos Atentos
As mudanças estéticas começam nas dimensões, menores ou maiores do que as máscaras dos rituais, ao ponto de serem incompatíveis com uma cabeça humana. As cores também são diferentes, com as máscaras de produção familiar utilizando a tapiragem, uma prática tradicional entre indígenas sul-americanos.
Soluções Nativas
Para as versões à venda, os Apyãwa recorreram à tapiragem, transformando as cores originais das penas. Essa prática permite que as máscaras sejam vendidas sem comprometer a espiritualidade e a cultura dos Tapirapé.
Em resumo, as máscaras cara-grande do povo indígena Apyãwa-Tapirapé são um símbolo importante da cultura e espiritualidade dessas comunidades. A comercialização dessas máscaras é complexa e envolve questões de subsistência, proibição e alterações estéticas. No entanto, as soluções nativas, como a tapiragem, permitem que as máscaras sejam vendidas sem comprometer a espiritualidade e a cultura dos Tapirapé.
Fonte: g1 > Educação
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