Introdução
Um vídeo viralizou recentemente na internet, mostrando alunas da Educação para Jovens e Adultos (EJA) “rasgando” frases machistas para sensibilizar a população sobre os impactos do machismo na educação de mulheres. As frases, como “Você não vai sair de casa sem a minha permissão”, “Se me deixar, ninguém mais vai me querer” e “Sem mim, você não é nada”, foram usadas para mostrar a realidade que muitas mulheres enfrentam em sua vida pessoal e acadêmica.
A história por trás do vídeo
O vídeo foi gravado em Várzea Alegre (CE), na Escola Figueiredo Correia, como uma ação para o Dia da Mulher. As estudantes que aparecem nas imagens não estão retratando o que elas mesmas ouviram, mas sim atuam como porta-vozes de colegas que sofreram violência psicológica. A professora Lucivânia Alves afirma que “temos alunas com muita vontade de ir para a escola, mas os maridos chegam em casa e não as deixam ir… decidimos trabalhar essas frases para incentivar e mostrar que a educação é um caminho de liberdade”.
Depoimentos das alunas
Duas das mulheres que participaram do vídeo contaram como a EJA foi decisiva para que adquirissem mais independência. Kelly Barreto dos Santos, de 45 anos, é pescadora e, com o incentivo do marido, encontrou um tempo na rotina exaustiva para frequentar a escola à noite. “Antigamente, eu não conseguia ler as palavras. Hoje, eu já consigo… E posso ir ao mercado e pegar meu troco direitinho”, diz.
Josefa Borges, de 65 anos, sempre esteve atribulada com tarefas domésticas e cuidados do lar — até decidir que queria ser alfabetizada. “Nunca tive a oportunidade de estudar quando era mais nova. Eu sabia só escrever meu nome mesmo. E agora eu sei bastante conta… somar as contas de matemática, as contas que a professora faz… Eu faço tudo”, conta.
Cenário Nacional
A ação das alunas ocorre em um momento crítico para a modalidade no Brasil. Segundo dados do Censo Escolar (INEP), houve uma queda acentuada nas matrículas da EJA, influenciada pelo fechamento de turmas. A modalidade teve, no total, 734 “classes” a menos em 2025 em comparação com 2024, segundo o Censo Escolar (Inep). Só no ensino médio, foram cerca de 130 mil matrículas a menos em um ano: de 976.390 (2024) para 845.627 (2025).
Conclusão
O vídeo viral das alunas da EJA é um exemplo de como a educação pode ser um caminho de liberdade para as mulheres. As frases machistas “rasgadas” pelas alunas são um reflexo da realidade que muitas mulheres enfrentam, mas também mostram que a educação pode ser uma ferramenta poderosa para superar esses obstáculos. É importante que sejam tomadas medidas para garantir que as mulheres tenham acesso à educação e possam exercer seus direitos, livre de qualquer forma de violência ou discriminação.
Fonte: g1 > Educação
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